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15/06/2008 | Fonte: A A
Acompanhe resumo de reflexão feita durante o Café Filosófico realizado no Anchietanum, em maio

No dia 30 de maio, o Anchietanum realizou mais uma edição do Café Filosófico, que reuniu mais de 40 pessoas. O Assessor, Adilson Felício Feiler, mestre em filosofia, abordou com os/as participantes o tema: Nietzsche e a questão controversa da morte de Deus. Acompanhe, abaixo, um resumo das reflexões feitas durante a atividade. O texto foi elaborado pelo assessor da atividade Adilson.

 

Nietzsche identifica na moral cristã a grande doença da cultura: a compaixão que, como instinto de fraqueza, está na base da anulação de si. Em passagens de sua produção literária, o filósofo alemão apresenta as conseqüências do amor, quando motivado pela compaixão: “Deus morreu, matou-o a sua compaixão pelos homens”. (Assim Falou Zaratustra, II, Dos Compassivos) e “(...) não souberam amar o seu Deus senão crucificando o homem”. (Assim Falou Zaratustra, II, Dos Sacerdotes). Assim, o problema da crença em Deus está, para o filósofo, em constituir uma moral que ameaça a vida. Mas, se entre vida e morte há uma relação de oposição, então não constituiria esta a tensão necessária à vida? Pois, os novos valores que Nietzsche proclama estão calcados num destruir para criar. “Quebrai, quebrai, meus irmãos, essas velhas tábuas desses devotos”. (Assim Falou Zaratustra. III, Das antigas e das novas tábuas, XV). Se Nietzsche apresenta o aspecto da tensão como instinto vital necessário, então a morte, o oposto da vida, seria promotora e asseguradora de mais vida. À morte estaria subjacente um querer, uma força voluntária de vida. Com isso não se atribuiria ao cristianismo, enquanto essência do sofrimento redentor de Cristo, um instinto de atividade e afirmação? “(...) o sofrer é necessário para os criativos. Sofrer é se transformar, em cada sofrer há um morrer”. (Fragmentos Póstumos, junho-julho de 1883. 10 (20)). Se, com a sua morte Cristo teve o intuito de conduzir a humanidade à vida, então ela representa uma força ativa e criativa. O sofrimento e a morte de Cristo passam a constituir um evento redentor. Com isso não seria a própria compaixão um instinto de força?

 

Quem desejar continuar o debate ou tirar dúvidas, pode entrar em contato por e-mail: feilersj@yahoo.com.br

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